sábado, 14 de abril de 2007

THIS IS SPARTA!!!

Não dá vontade de rir quando você vê uma pessoinha bem pequena, recém chegada mesmo, dominando ou pelo menos tumultuando bastante a cena?
Nove e meia da noite. Algum tratado internacional (desses que valem pacas, assinado pelo Busch e tal), um alinhamento de planetas ou uma voz vinda do além estabeleceu que nesse horário, o bebê dorme. Apenas isso justifica a obstinação, teimosia e outros bichos da jovem mãe.
Seja qual for a tal força determinante, o moleque se empenha em mostrar que ela (a força) não manda nele. Não mesmo!
Começa o entrevero. No melhor estilo espartano, destemido e sem noção. Não haverá negociação, tampouco rendição. O bebê está disposto a morrer, já que não sabe o que é isso, ou enlouquecer a mamãe (o que vier primeiro), para resguardar o sagrado direito à liberdade de ficar acordado e de caminhar pela casa com os pés descalços.
O anjinho tem os ideais e a coragem. Ainda falta, entretanto, discernimento. Com sua visão limitada da vida, ignora que a face mais poderosa da dominação, quando temos apenas dois anos, chama-se Mamãe. E ela não tá pra brincadeira não, minha gente. Também não pretende fazer prisioneiros. Ou dorme, ou... prepare-se para a glória!! Afinal, foi de suas veias que o moço herdou o sangue birrento.
Todas as luzes da casa são apagadas. A TV permanece ligada, mas sem volume. As visitas estão tensas. Sim, meu povo... tem platéia. Mas ninguém torce, nem aplaude. Até porque, o silêncio é condição imperativa para a chegada do soninho.
- Pegue o bico, o nãna... e venha já aqui!
O moleque sorri com a chupeta na boca – Não mamã!
- Vou contar até três. Um... dois...
– E paft! Um tapinha na fralda. Golpe baixo. Não era até três? Tá que o bebê não sabe contar, e daí?
Ainda assim, trata-se de um (pequeno) homem livre, que aprendeu a não demonstrar dor e que continua muito bem-humorado. Rindo alto, corre para traz da muralha, digo, poltrona.
A dominação usa sua face mais doce:
- Vem aqui no colinho que a mami te dá um xêro...
Ele joga beijo de longe. E ri.
Em seguida, a face mais inescrupulosa:
- Mamãe tá tão triste com o bebê... – Pasmem: Ela esconde o rosto nas mãos e finge CHORAR. Nosso herói, mostrando um autocontrole invejável, leva as mãozinhas ao rosto e ensaia um choramingo fingido também.
Por fim, toda descabelada, suada, olhos em chamas, revela-se a ditadura escancarada. Mami ergue o pestinha e dá uma sacudidinha, como a gente faz com celular sem sinal (no caso do celular também não adianta). Depois, segura-o bem firme junto ao peito. E solta a derradeira:
- Chega de ser boazinha. Teimosinho! Tó o bico, tó o nãna... e agora vamos dormir, mocinho! – E começa a se balançar para frente e para traz entoando uma espécie de mantra – mhummm, mhummm, mhummm...
Nenhum dos presentes, embora tenha acompanhado a demanda desde seu início, tem condições de entender o que realmente se passa ali. Há, é certo, outras mães na sala; mas elas pouco sabem sobre o amor e as batalhas. Sobre o amor às batalhas então, bah!
Em sinal de respeito, ninguém aguarda a rendição do pequeno soldado que choraminga. Em vez disso, despedem-se de ambos de forma consternada. O caminho para casa é de profunda reflexão. Disciplina... Liberdade... Obediência... Honra...
Mas sabe aquela vontade de rir?! Agora já pode.

2 comentários:

Flávia D. disse...

Então vou ser a primeira a fazer um comentário...Adorei o texto...e te adoro muito...além de admirar um montão...beijosss

Sebastiao disse...

... perfeito descreve bem a mãe e o filho em questão... haha