quarta-feira, 1 de julho de 2009

A mesma coisa?


"A mesma coisa" não existe, ponto. A gente ouve muitíssimo as pessoas falando que, principalmente na política, tudo é sempre a mesma coisa.

Mas a gente sabe que isso de apregoar "a mesma coisa" serve aos interesses de alguém, de algum grupo. Despolitizar, trazer a todo momento "fatos" que "provam" que sempre foi assim e independente do que se faça, sempre assim será, tem por objetivo encher o nosso saco, tirar o nosso foco.

Não são os que estão mais afastados do campo político da sociedade os interessados na reprodução da teoria do "deixa eles lá". Nós, comerciários, dona de casa, professores, arquitetos... Nós povo, sempre com a cabeça na mensalidade das crianças, apenas reproduzimos a grande mídia. Mas é a quem sabe da mentira deslavada que isso representa, que esse jeito de ver a política serve.

Na eleição para a presidência dos EUA por exemplo, excetuada alguma parte da intelectualidade, o discurso recorrente era de que republicanos ou democratas não possuiam diferenças visíveis a olho nu daqui do hemisfério sul. Que tanto Hillary ou Obama não representariam senão uma nova face para a mesma opressão "de sempre". Eu cheguei mesmo a ouvir que negra a Condoleessa também era, com a vantagem de ser mulher. Fato. E não se trata mesmo de uma completa inversão.

Entretanto pela primeira vez desde sei lá quando um presidente dos Estados Unidos condena de imediato um golpe militar em uma república miserável da América Central. Seria a postura Bush? Seria a postura Hillary Clinton presidenta?

O processo eleitoral é o mínimo do mínimo. A gente pode (e tem) críticas. A eleição não é lá aquelas coisas quando a gente sabe que muito voto é comprado com comida. Que em alguns países ele é dado sob pressão. Que outros países tem sistemas eleitorais onde um candidato pode vencer e não levar. Ainda assim é um mínimo, necessário demais. E é essa consciência que hoje une Lula, Chaves e Obama (governos de características muito diferentes entre si) em defesa da democracia de um país pobre onde tudo falta, mas que tem seu governante eleito por seu povo.

O que determina os rumos de uma administração são os compromissos históricos e conjunturais que ela carrega nos ombros.

E tendo isso em mente qualquer reflexão modesta consegue ver que nada é igual a nada, meus amigos.



9 comentários:

Haline disse...

isso ai e ótimo exemplo. sou super adepta do "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". no caso da politica, as vezes, a máquina e o processo são os mesmos, mas qdo envolve ser humano, nossa, muda tudo.

Ao Leite disse...

Verdade Haline, há também o processo humano para se levar em conta.
:)
Bjo.

Josemar disse...

Só pra intica contigo e mudar de assunto, vou dizer "a mesma coisa" que eu disse lá no blog da Flávia: quero ver esse Blog todo vermelho amanhã.

Flávia D. disse...

Eu vou na onda do Josemar. Até pq não consigo me concentrar em outra coisa. Vamo, Vamo Inter!!!!!

Ao Leite disse...

Flavitcha e Josemar, EU NÃO QUERO FALAR DISSO. Medo. Muito.
Bjão pr'ocês.

Adília disse...

A retórica do «é tudo a mesma coisa» consciente ou inconscientemente serve os interesses da direita e visa o enfraquecimento da democracia porque pretende que os políticos são todos farinha do mesmo saco e que portanto não vale a pena lutar nem ter esperança num futuro melhor. È essa mesma lógica de bota abaixo que leva certas tendências feministas a entenderem que eleger mulheres para cargos políticos é secundário porque elas vão ser iguais aos homens. Enfim não me revejo nesses velhos do restelo, navegantes de águas paradas.

Ao Leite disse...

Exatamente Adília. Interressa pra quem mulheres guerreiras, cientes da nossa realidade de opressão cotidiana, ocupando lugares nos parlamentos?
Brigadão pela visita.
Abraço.

Sebastiao disse...

O problema é não servir apenas a direita... essa retórica é tão comum, até no nosso meio!
Existe um ditado que diz "existe sempre uma resposta simples aos problemas complicados" esqueceram de dizer que ela está, invariavelmente, errada.

Ao Leite disse...

Bem lembrado Tião. Não é apenas a direita que se apropria e reproduz o discurso do "tudo igual".