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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Futebol não é coisa séria

Futebol é futebol. Eu sou torcedora. Demais, vocês sabem. Mas futebol, é futebol apenas.
É esporte, é festa e paixão (pra quem gosta). É utilizado politicamente? É. Mas daí é outra história, e cabe também a gente não faze-lo.
Futebol não é como política. Política é algo complexo, extremamente sério e relevante na vida (inclusive de quem não gosta). Então "pátria de chuteiras" é, ou bobagem ou oportunismo.
Ainda assim, aproveito o momento e os discursos do momento, para pontuar aqui um dos mais conhecidos e evidentes traços da nossa "classe-média-manoel-carlista" do qual tenho verdadeiro horror: falar mal do Brasil em qualquer circunstância que se apresente.
Os ditos "neutros" ou de direita endeusam os ianques e sua democracia, ou os europeus e seu desenvolvimento e educação (???).
Alguns ditos de esquerda, se ressentem da falta de solidariedade para com os povos latino-americanos e passam seus dias proclamando como tudo é tão heróico e radiante em Cuba e como aqui somos burros, incultos e mesquinhos.
Nessa época, misturam tudo com futebol. Aí, valha-me!
Esses extremos são para mim, faces de uma mesma moeda. De um mesmo discurso de desconstrução da nossa identidade (que serve a quem mesmo?).
Mesmo no futebol, basta analisarmos os números com menos paixão e/ou preconceito e veremos que não estamos nem tão abaixo nem acima da competentíssima Alemanha, ou das "amarelonas" Argentina e Espanha. Seleções de futebol, apenas. Cada uma com sua torcida, qualidades e limitações. Nada mais.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A mesma coisa?


"A mesma coisa" não existe, ponto. A gente ouve muitíssimo as pessoas falando que, principalmente na política, tudo é sempre a mesma coisa.

Mas a gente sabe que isso de apregoar "a mesma coisa" serve aos interesses de alguém, de algum grupo. Despolitizar, trazer a todo momento "fatos" que "provam" que sempre foi assim e independente do que se faça, sempre assim será, tem por objetivo encher o nosso saco, tirar o nosso foco.

Não são os que estão mais afastados do campo político da sociedade os interessados na reprodução da teoria do "deixa eles lá". Nós, comerciários, dona de casa, professores, arquitetos... Nós povo, sempre com a cabeça na mensalidade das crianças, apenas reproduzimos a grande mídia. Mas é a quem sabe da mentira deslavada que isso representa, que esse jeito de ver a política serve.

Na eleição para a presidência dos EUA por exemplo, excetuada alguma parte da intelectualidade, o discurso recorrente era de que republicanos ou democratas não possuiam diferenças visíveis a olho nu daqui do hemisfério sul. Que tanto Hillary ou Obama não representariam senão uma nova face para a mesma opressão "de sempre". Eu cheguei mesmo a ouvir que negra a Condoleessa também era, com a vantagem de ser mulher. Fato. E não se trata mesmo de uma completa inversão.

Entretanto pela primeira vez desde sei lá quando um presidente dos Estados Unidos condena de imediato um golpe militar em uma república miserável da América Central. Seria a postura Bush? Seria a postura Hillary Clinton presidenta?

O processo eleitoral é o mínimo do mínimo. A gente pode (e tem) críticas. A eleição não é lá aquelas coisas quando a gente sabe que muito voto é comprado com comida. Que em alguns países ele é dado sob pressão. Que outros países tem sistemas eleitorais onde um candidato pode vencer e não levar. Ainda assim é um mínimo, necessário demais. E é essa consciência que hoje une Lula, Chaves e Obama (governos de características muito diferentes entre si) em defesa da democracia de um país pobre onde tudo falta, mas que tem seu governante eleito por seu povo.

O que determina os rumos de uma administração são os compromissos históricos e conjunturais que ela carrega nos ombros.

E tendo isso em mente qualquer reflexão modesta consegue ver que nada é igual a nada, meus amigos.



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Reflexões sem sentido de uma torcedora em choque


Alguém tem um jogadorzim com autoestima suficiente pra chutar em gol? Empresta? Devolvemos na quinta-feira.
Vão rindo do inglês do Joel, vão.
Ô, quanto custa aquele Wagner do Cruzeiro?
Alguém conta pro Robinho por gentileza, que futebol é esporte em equipe.
Com a cor não, hermano.
Eu não consegui torcer pra África. E devia. Pro Nilmar e o Kleber voltarem. Eu sou uma irresponsável.
Vamo, vamo Inter! (catatônica, olhando pro teto).

terça-feira, 31 de março de 2009

Da série: perguntar não ofende


Se alguém, num grupo de atuação política sofreu uma acusação de desvio de dinheiro público (umazinha só, mas que repercutiu pra caramba lá atrás), ele não representa mais esse grupo em espaço público nenhum, concorda?
Mas e se a acusação for de agressão a uma companheira?


segunda-feira, 30 de março de 2009

A palavra vale prata


Você é a favor da liberdade de expressão? É mesmo? Liberdade de quem?

Pergunto porque a bandeira que eu tenho visto tremular é a da liberdade de expressar-se. Expressar-se ela, a pessoa que carrega a bandeira.

Todo mundo quer falar, opinar... Mas uma parcela cada vez maior de pessoas parece não estar disposta a aguentar o repuxo.

Mesmo nessa maravilhosa blogsgera que teoricamente é um espaço de resistência à midia empresarial e um oasis de livre expressão, a simples discordância de um post é tida por alguns como "falta de etiqueta". Só pode bater palmas. Se você não concorda, crie um blog e LÁ de a sua versão dos fatos.

Dirão alguns que é justamente esse o suprassumo da livre expressão. Poder inclusive mandar às favas sem a menor cerimônia quem, segundo meus critérios, não conseguir acompanhar meu raciocínio (brilhante).

Sei não... Penso que, excetuados com muita justiça os comentários grosseiros e desrespeitosos, os demais merecem sempre espaço, alguma reflexão e mesmo um bom debate, se for o caso.
Mas esse fenômeno que se constata na web, reflete apenas o que acontece o tempo todo à nossa volta. Vivemos em um mundo de pessoas e suas "verdades inarredáveis". 

Estamos tão inseguros que nos tornamos arrogantes demais pra ouvir o que quer que seja além da nossa própria voz. 

Confundimos a defesa de princípios (que confiamos ter) com pura vaidade intelectual. Pagamos de espiritualizados, aí tome "Namastê", mas não vemos o sagrado um palmo além do nosso umbigo. 
Confiamos e valorizamos demasiadamente aquilo que sai de nossa boca para ouvir qualquer outro ruído.

Quem nunca esteve em uma daquelas reuniões em que dezenas de pessoas dizem exatamente a mesma coisa? E por que motivo o fazem? Porque em suas cabecinhas, ninguém saberá dizer aquilo de forma tão genial quanto elas fariam.

Pode ser rabujice pré-parabenspravoce, mas eu queria sim, um mundo que ouvisse um tantinho mais. Queria eu também ouvir mais e melhor. Acho que seria bacana, pra variar, mais gente perguntando e menos gente se adonando da verdade.
E você?

Ps.: Não achei créditos da imagem. Se alguém souber...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Perguntar não ofende


As pessoas morrem. Fato. Mais aqui, mais ali adiante. De um jeito ou de outro. Enfim...

Mas você concorda comigo que quanto mais adiante, melhor?

Tá. Eu estava lendo sobre (mais) uma mulher que morreu devido a complicações de um procedimento estético. Não sei da história dela, da aparência, nada, nada. E tenho claro que há várias variantes nessas histórias. Então nem falemos disso especificamente.

Ainda que a maioria dos finais sejam mais felizes, eu fico cá pensando...

Quase metade dos adolescentes que eu conheço usam aparelho e/ou passaram por cirurgias dentarias. E tudo isso é MESMO necessário? Digo, há uma epidemia de sérios problemas bucais? Ou nossos jovens tem de ter até os dentes idênticos? De onde eles estão tirando essa "necessidade"?


As cirurgias plásticas e outros procedimentos estéticos de impacto semelhante melhoram mesmo a autoestima?

Quando você olha no espelho e não gosta do que vê. Em regra, é o seu reflexo ou seu olhar que precisa de reparos?

O silicone, a lipo, as cirurgias, a levantadinha aqui, a paralisadinha lá... Pra quem fazemos isso?

O que queremos ganhar? O que tememos perder? Qual é o limite? E a mais complicadinha: Resolve?


Imagem: Venus at the mirror - Peter Paul Rubens



segunda-feira, 9 de março de 2009

Sobre ontem




Ontem não deu tempo. Mas não queria deixar passar.
A imagem foi copiada daqui, onde tem um texto muito bom sobre.

sexta-feira, 28 de março de 2008

No creo...

Uma amiga querida me garante que passa atualmente por dias de "inferno astral'.

Segundo quem acredita, nesse período (imediatamente antes do aniversário) tudo que está pra desandar, desanda mesmo...
O tal inferno astral é determinado pelos astros, eu acho, e não tem muito que se possa fazer não... Tu te encolhe e fica esperando o dia do 'Happy Birthday', que teoricamente dá início a um período beeem melhor.

Eu não gosto nem de debater esse tipo de coisa. Por dois motivos.

Primeiro: Quem sou eu no cosmo pra dizer que alguma coisa é ou não?
Que tal cheirinho não traz pleno equilíbrio... Que tal cor não espanta a inveja... Que a disposição das coisas dentro de casa não pode determinar teu sucesso, ou fracasso... Que o alinhamento dos astros não vai jogar sobre mim uma avalanche de desgraças em série...

O segundo motivo é que: Mundo bom, divertido de se viver é assim... Tem de tudo.

Mas nessa lógica de tolerância e bom humor, permitam que vez ou outra eu não consiga controlar o riso diante de algumas revelações... Não é por mal.

"Objetos quebrados, paredes descascadas, vazamentos, entupimentos e vidros quebrados nas janelas, são um sinal de que a casa está respondendo de forma negativa às energias que circulam em seu interior..."
"As portas dos banheiros, bem como os vasos sanitários e ralos sempre devem ser mantidos fechados para evitar que SUGUEM as energias dos habitantes e do resto da casa."

Em.: Feng Sui: Harmonia do quarto do casal. Diário do Iguaçu 28/03/08

Paredes descascadas, vazamentos, entupimentos e vidros quebrados também podem derivar de falta de manutenção, ok?

Porta do banheiro fechada... Aham... Sim. Sem sombra de dúvida. Se tiver alguém lá dentro então... Ever.

Ps.: Cinco dias pro meu aniver... Tô aqui de dedinhos cruzados pra ver se o tal inferno astral passa batido, hehehe...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Ontem teve...

E estava bonito que só...

Na entrada do estádio, alguém aos berros. Um mocinho duro de trago, mamado... Borracho mesmo. Alguém que eu, sem sombra de dúvida, não conhecia.
No que olhei pro figura, ele larga: - É. Você mesmo. Eu te aaamo!
Deus abençoe os bêbados engraçados e que não conseguem caminhar na mesma velocidade que a gente.
#
Um cara com os ombros da largura de um roupeiro de seis portas e cara de pouquíssimos amigos, pára perto da gente. E eu, vocês sabem, sou covarde. Mas quando o jogo começa, ele torce feito doido. Braços colados ao corpo até a altura dos cotovelos, sacode as mãos freneticamente: Vai! Vai! Vai!
#
Um moleque de uns dez anos me ensinou meia dúzia de palavrões que eu não fazia idéia que existissem... E provocava os puliça... Piazito boca suja e sem juízo.
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Mas pra ter boca suja feito a nobreza, há que se conhecer todas as faces do submundo, viu... Deus do céu!
#
O jogo. Ah, o jogo... Meu Colorado enfrentando o querido Verdão. F*da.
Não foi baba, não. Os dois gols do Inter só saíram no finalzinho...
#
E as ameaças... A gente pensa que tem amigos... Mas experimenta torcer (no estádio e uniformizada) contra o time da tua terra natal... Tenta explicar que esse amor colorado é assim mesmo, que tu não controlas...
O mais bonito que eu ouvi hoje dos conterrâneos, foi que vão me jogar da ponte do Rio Uruguai, que separa nossa cidade do Rio Grande do Sul... E eu que vá nadando até encontrar o Guaíba. Credo.

segunda-feira, 17 de março de 2008

...

Pneu furado no final da tarde de sexta. Eu e a ruiva resolvemos trocar. O mundo masculino é uma fraude. Trocamos em cinco minutos. Verdade, suja um pouco. Nível de dificuldade: iniciante. E lá se foi uma das últimas coisas que eu acreditava mesmo que os meninos precisavam fazer por mim. Não pergunte. No momento eu não lembro das que restaram.
*
E dizem que os sites de fofoca não acrescentam nada no teu dia...
Duas 'notícias' capazes de fazer muita gente um tantinho mais feliz circularam na net na semana passada:
1 - A Gretchen (jura que) vai se aposentar até junho, que não dança mais depois disso e vai se dedicar a carreira política (mas essa parte ela deve ter dito pra fazer graça, claro).
2 - Rodrigo Santoro está solteiro... Aham... E sabe o que eu vi? Uma 'matéria' com dicas para conquistar o coração dele. Não ri, não. Caso alguém aí tenha uma auto confiança centenas de vezes melhor que a minha, tá aqui o mapa da mina.
Good Luck!
*
No mais, paz. O sábado foi daquele jeito que a gente não gosta, mas o domingo já melhorou. Pois é... Uma ótima semana pra todos nós.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Sabemos...


Amanhã (08 de março): Dia Internacional da Mulher!!!!!!!!!!!

E daí que esse dia de luta e de mobilização pelos direitos das mulheres trabalhadoras espalhadas por todos os continentes seja sistematicamente reduzido e subtraído em sua essência?!

Faremos como fazemos em todo o resto... Respiraremos bem fundo... Agradeceremos as flores (que são sempre lindas e bem vindas), devoraremos os bombons. Leremos e repassaremos as mensagens fofas. Acolheremos, verdadeiramente felizes, os abraços e carinhos... Eles nos querem dar conta do quão especiais nós somos (e somos). Celebraremos, sim.

Mas nada disso vai nos tirar do prumo. Sabemos de toda a opressão velada. Das infindáveis jornadas acumuladas. Sabemos que ganhamos menos. Sabemos exatamente onde está o perigo. Conhecemos uma face peculiar e ainda mais perversa da violência.

E se há algo a comemorar, é justamente o fato de sabermos.

Meu presente:

Hibisco

Uma de minhas flores preferidas. Tanto que aprisionei três delas (pelas mãos dele) no meu tornozelo para todo sempre.
É rústica e forte. Floresce o ano todo nos lugares mais ensolarados.
Possui uma variedade imensa de cores. Estão por toda a parte, são lindas e pouco valorizadas. Feito nós.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Normalidade

Uma avó entrega seu neto a alguém que, segundo seus critérios, tem mais condições de criá-lo. Trata-se de um bebê recém-nascido. Quase um ano se passa. A criança está bem. Os novos pais decidem regularizar a situação. Ingressam na justiça, que lhes concede a guarda da criança com base no laudo psicossocial. Tudo normal, não?
A pessoa a quem o pequeno foi entregue é um transexual.
O Ministério Público recorre. Ganha. A criança vai para o abrigo.

Diz o promotor: "...esta criança tem de ter uma família convencional, ser criada por um pai e uma mãe. Imagine como ela ficará revoltada ao descobrir que foi criada por uma família anormal"

Sabe aquelas pessoas impermeáveis à vida? Passam pelo mundo, pelas mais variadas experiências, conhecem tanta gente, aprendem outros idiomas, caem, levantam (ou são erguidas) e, mesmo assim não sorvem uma única gota de vida.
Com boa parte do caminho já feito, ainda arrastam consigo bandeiras esfarrapadas da normalidade, pois somente nessa Terra do Nunca é que gente de compreensão tão débil se sente segura. Assustadoras, não?

A íntegra da notícia aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

TUDOAOMESMOTEMPOAGORA

Miúda correria... Credo!

Muitas coisas, muitas. Importantes e nem tanto. Mais ou menos e bem boas.

Fiz tatoo nova e não consigo mais parar em casa. Crianças lindas e ultra independentes. Mãe coruja muito orgulhosa, meus caros. Muita saudade de escrever bobagem (pensar bobagem também).
Mas não é só minha humilde existência que está nessa
vibe TUDOAOMESMOTEMPOAGORA.

Na minha cidade (querida) começaram os preparativos para o natal.

O pessoal da prefeitura, ao que tudo indica, não conseguiu decidir entre enfeites dourados, prateados ou com as cores do natal (vermelho, verde e branco).
Também ficaram na dúvida entre pinheiros, luzes, anjos, papais
noéis, velas, bolas, bonecos de neve ou guirlandas.
Aí colocaram tudo... Sim,
TUDO.
Se existe algum outro enfeite que represente o natal, me apresentem. Os que eu conhecia estão TODOS se estapeando por um lugar ao sol na avenida central de Chapecó.

Não estão acreditando, né?! Estão achando que não vou com a cara do prefeito e tô sacaneando...
Nada! E lhes digo, mau gosto não é nem de longe o pior defeito da administração.
Façamos assim... Logo que tiver um tempinho trago fotos. Sem comentários pra não dizerem que sou malvada. Só fotos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Vergonha

Gosto de me imaginar uma pessoa civilizada. Capaz de ouvir (e ler) o que quer que seja e, com algum esforço, me contrapor com elegância se for o caso.

Odeio quando alguém desfaz esse castelinho. Odeio quando não sobram palavras educadas para argumentar, quando me vejo obrigada a descer do salto e/ou subir nas tamancas.

Mas eis que desde o início da tarde, estou tomada de vontades de fazer mal a um senhor de certa idade. Mais precisamente 79 anos. Mal físico, saca? Tipo, arrancar um pedacinho de sua pele (alva) pra mostrar o que há debaixo dela. Enfim... A imaginação ganha asas nessas horas.

Refiro-me a James Watson, cientista Prêmio Nobel em mil novecentos e guaraná de rolha por pesquisas moleculares, eu acho. Sinceramente... Nem me interessa.

Ocorre que este... Cavalheiro... Utilizando-se do espaço de que dispõe e da fama de 'estudioso', deu recentemente uma entrevista e entre muitos impropérios preconceituosos, expeliu os que reproduzo abaixo:

"Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não"

"Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade."

Diga aí... Tanta gente mais ou menos tomando tundão pelo mundo, e não tem um sangue bom pra pregar a mão no ouvido de um espécime tão merecedor.

Entre suas outras 'bandeiras' estão tratamentos genéticos para embelezar mulheres feias e a possibilidade de aborto caso fosse possível identificar antes do parto um bebê homossexual. Não riam não. Por favor.

A gente sabe que o racismo existe. Que tá lá, onde menos se espera... Mas como dói ler, ver ou ouvir suas manifestações veladas (como quase sempre) ou escandalosas (como esta).

Como envergonha.

Que constrangedor ouvir um desgraçado prêmiado, ciente de toda a verdade, proferir tanta merda e saber que vai ter no mundo quem ouça e reproduza isso como 'fato científico'.

Na boa... Esse senhor nos deve desculpas.

Imagem: Ares/Cuba


segunda-feira, 25 de junho de 2007

Erros

Se existe uma coisa que me amedronta na maternidade é essa freqüência com que mães (e pais) perdem a capacidade de refletir racionalmente sobre as condutas dos filhos.
A notícia 'sangrenta' da semana dá conta de uma empregada doméstica que, quando aguardava o ônibus de madrugada (para ir até o posto de saúde) foi atacada por cinco homens adultos. Teve a bolsa roubada, levou vários socos e pontapés na cabeça.
Os tais homens eram cinco jovens de classe média alta, quatro deles universitários.
Pra se defender, teriam declarado na delegacia que confundiram a moça com uma prostituta. Ahh... Bom!!! Ufa!!! Foi isso então. Um erro de pessoa.
Claro que ver um filho fazer uma coisa dessas é uma situação gravíssima e que ninguém está preparado para passar por ela. Mas a frase proferida pelo pai de um desses jovens me soou muito assustadora e um tanto ilustrativa.
Disse ele, com essas palavras, se não me falha a memória: 'Eles erraram. Mas não é mantendo presas crianças (dessa parte tenho certeza), que cursam faculdade e trabalham, que o problema vai ser resolvido.'
Erro? Crianças?
Caramba! É ou não é assustador?
Como se educa, como se ajuda um filho quando se tem uma visão tão deturpada dele e de suas ações??

Ser bom...


É, ciente de sua superioridade INCONTESTÁVEL e do momento de notória fragilidade e decadência de um de seus 'rivais', conceder, do alto de seu trono de CAMPEÃO MUNDIAL alguns momentos de alegria à pobre (sofrida!!! ) torcida adversária. Jogar sem seus principais atacantes para facilitar tais momentos, abrir mão (completamente!) da marcação... Benevolência, meus caros. Bonito isso!

O Saci: By Ziraldo

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Grata Surpresa


A mulher que juntamente com dois de seus filhos ficou presa dentro de sua casa em poder de um foragido, estava hoje pela manhã na Globo. Inquietantemente serena.
Questionada várias vezes sobre como se sentia, sobre o medo e a revolta, jogou um balde de água fria no sensacionalismo pretendido. Evidente que teve medo. De quê? Ora... Que pergunta! De morrer. De perder os filhos. Dã!
Sobre a impressão que tivera do homem que invadiu sua casa, disse que parecia alguém que não teve muitas oportunidades, que falava muito da mãe, e de uma filha também. Que se comprometeu desde o início a não fazer mal à ela ou aos seus filhos. Que dizia só querer fugir. Ou morrer.
Quando ficou claro que não haveria o aguardado romper em lágrimas, que a mãe de família não faria nenhum brado clamando pela punição dos culpados, por leis mais severas para os delinqüentes já a partir da pré-escola, a apresentadora tratou de endeusar sua atitude tão repleta de capacidade de perdão. Enquanto isso, eram mostradas imagens do homem algemado e de sua extensa ficha criminal, como que a dizer: ‘Não se enganem, telespectadores. Trata-se sim de um bandido, sem sombra de dúvida.’
Como é incômodo quando pessoas assim nos falam. Como dói quando alguém de quem se espera choro e ranger de dentes, ousa insinuar que o cara pardo, ignorante, ladrão, assassino, miserável é, antes de qualquer coisa um ser humano, feito do mesmo material que a indignada apresentadora (exceto talvez pelo Botox) ou qualquer um de nós. Que ódio! Alguém vir à público dizer que um sujeito desse tem mãe (que pra piorar deve parecer com a nossa) e que ele pensava nela.
Não vêem que essas constatações nos deixam a cabeça confusa. Que um gosto muito amargo vem até a garganta quando nos jogam na cara que não somos (infelizmente) reféns completamente alheios e impotentes do ‘mundo do crime’.
Isso de o mundo (do crime, do trabalho, globalizado, miserável) ser um só, por mais injusto e desigual que o façamos; isso de tudo estar relacionado de forma tão estreita, de fazermos (TODOS) parte do problema e de qualquer solução, francamente, é um saco mesmo. Não tem mocinho x bandido então? Um redentor em um cavalo branco, nem pensar?! Como diria um antiquíssimo mestre: Que maçada!

Perguntada se gostaria de falar algo ao tal homem que provavelmente a estaria assistindo lá de dentro do presídio, disse que estava grata por ele ter honrado o compromisso de não fazer mal a sua família, e que esperava que ele conservasse a esperança.
Esperança? Pra ele? Sei não. Tomara.
Mas ver o equilíbrio e a compaixão brotarem onde menos se espera, é sempre um estímulo para mantê-la.
Em frente.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Flor de Liz

Há, neste ponto do velho oeste onde eu vivo, um supermercado que enche, lota, congestiona mesmo nos finais de semana de chuva ou véspera de datas festivas.

Em nada se parece com o “Flor de Liz – Mini Mercado e Bazar”, onde uma noninha (ou vovó, como queiram) anota tua dívida na caderneta enquanto a neta empacota tuas compras. Não, não.

Trata-se de estabelecimento renomado, com filiais e tal. Os donos da bola e do campinho, entende? Muito bem integrado à lógica capitalista de acumulação de plata e sacaneamento de funcionários. Sim, pois o tal funciona de segunda a sábado, até todas as estrelinhas iluminarem o céu, e (em regra) aos domingos também.

Já me disseram (assim, na cara): Êta pensamento provinciano! Quer o quê? Que o mercado feche às seis?? Respondo: Não precisaria nem fechar. Nunca. Implico apenas porque quando se trata de jornada de trabalho, não sou só provinciana. Sou provinciana católica fervorosa, daquelas de guardar domingos, festas de guarda e tudo o mais.

Vai daí que eu adoraria acreditar que todos ali trabalham em turnos civilizados, não submetidos ao tal Banco de Horas, onde o domingo em que você ralou e não ficou com seus filhos, amigos e netos, pode ser “guardado” e “gozado” numa outra oportunidade acordada entre você e seu patrão. Por exemplo, numa terça-feira, pra você assistir sessão da tarde enquanto faxina. Adoraria realmente. Mas minha pouca crença no sistema e o fato de ver sempre as mesmas carinhas, toda vez e em qualquer horário em que faça minhas compras, não me permitem.

Vejamos, cobram bem, exploram a peonada e tem aquele ar bem sucedido. Climatizadores, pinturas novas, música ambiente e logomarca espalhada em tudo quanto é canto, pra você não esquecer onde está.

E pra alimentar um pouco minha implicância, tem ainda a limitação de vagas para carros no estacionamento coberto. Quando tomo um banhão de chuva porque não acho vaga coberta, não consigo deixar de pensar que, POXA! Os caras não iam ficar pobres por cobrir também as... sei lá... oitenta, cem vagas restantes. Ou será que tem clientes que preferem vagas ao ar livre, maior contato com a natureza?
Sou mais a noninha. Se bobear, ela ainda me oferece um guarda-chuva até o carro.